
Crescia por dentro, como um fogo em brasa ao vento.
Lento comia pelas entranhas como vermes vivos festivos num banquete farto de carne putrefacta.
Térmitas na madeira, acido na pele, lixívia no estômago. Queimava.
Ora penetrava roendo nas paredes do coração, como subia pelo estômago deixando em ferida e carne viva as paredes intestinais.
Rastejava lentamente num trilho de sangue, pela traqueia acima dificultando a fala, enrolando-se na língua e deixando-a seca.
Por vezes entrava até no cérebro... onde furava a massa viscosa e mole do pensamento e se alojava no cerebelo junto às emoções mais primárias.
Era um verme nojento, um parasita. Dominava o hospedeiro a seu bel-prazer, controlando os pensamentos, os movimentos, até o ritmo cardíaco.
Os infectados agiam todos da mesma forma, como máquinas programadas.
Ficavam imbecis, dóceis e controláveis. Tinham um brilho estranho no olhar, e uma eloquência fluente no discurso.
Tanta que ao falarem uns com os outros, o diálogo parecia erudita poesia ou mesmo musica. Quando o parasita não conseguia atingir o seu propósito o hospedeiro enlouquecia, entrava num processo de auto-destruição esquizofrénico, quase sempre irreversível.
O seu objetivo era simples, multiplicar-se desenfreadamente e tomar conta do mundo...
A ciência chamou-lhe amor
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