sábado, 3 de fevereiro de 2007


Flores De Cemitério
Poema da autoria de Rikardo Arregi


Sobre algumas campas apenas musgos, sinal do cuidadoso esquecimento. Sobre outras campas, flores murchas, vigilante a recordação descuidada, nem todos os mortos são iguais. E le pauvre Apollinaire, que faz aquie que faz aqui le pauvre Thierry que fazem aqui misturados os mortos e os vivos sempre diferentes e sempre iguais.

Ao tomar ar, junto com o odor do cemitério aspiramos até ao fundo os desejos de todos nós. As rosas desfizeram-se sobre as lápides, não assim essas humildes flores silvestres que passaram o inverno adormecidas em pequenos prados, insignificantes florzinhasmas vivas: amarelas, diminutas .

E, depois, recordarei estes céus a chuva de hoje, estas horas e, por que não os corpos hospitaleiros que ainda continuam vivos! Ridículos os consolos dos lábios e os olhos não vêem senão palavras dúvidas que não são dúvida, comentou alguém. E, de imediato, os rectos ciprestes apanharam um taxi e foram para a cidade em busca de quê, em busca de quê ?
Sobre a folhagem vejo frequentementerestos vivos de todos nós e nas pedras partidas sujos rostos de desconhecidos cadáveres formosos em nenhum lugar como se fossem as linhas doridas de uma mão atravesso, tudo está já adivinhadoos estreitos e húmidos caminhos entre as campas. A vida quotidiana aproxima-se correndo.

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